quinta-feira, 30 de junho de 2011

Essa Dor



 E eu sempre tão firme, me apaixonei e nem percebi o quanto já estava envolvido.
Parece que você conseguiu um jeito de passar pela minha armadura e me tocar
Eu não consigo te olhar sem querer te beijar, sinto que meu corpo esta acorrentado pelo desejo.
Todas as tardes calaram, só queria que a dor passasse.
Só queria que ouvisse o que minhas palavras têm a te dizer, mas você não quis.
Essas cordas que contornam meu pescoço prendem firme.
Olho de cima, a cadeira balança, um salto e tudo muda.
Deixei uma carta pra você na gaveta da estante.
Eu só queria que a dor passasse.
Sinto que posso voar, eu tenho asas, então pulo e sua foto voa das minhas mãos.
Os olhos se fecham, esse é meu fim e meu fim de você.
Durma bem meu anjo.

O Palhaço

O palhaço vagando sozinho pela noite, com um papel amassado na mão, naquela estrada vasta e escura.

A maquiagem borrada, a roupa suja, um rosto abalado e um caminhar desengonçado.

Ele estava triste, é triste com a vida, dividido entre o ódio e a tristeza, tudo por culpa daquele resultado do exame, sim aquele papel que ele estava na mão foi sua bomba relógio, o tempo agora é uma surpresa.Ele para de caminhar, senta na calçada e fuma um cigarro naquela mesma rua escura.Lágrimas escorrem do seu rosto, os olhos vermelhos já de cansaço e dor, sim ele chora, mas não só por causa do resultado, mas porque inevitavelmente passa um vídeo de sua vida na sua cabeça e começa a se lamentar de três coisas. Uma de não ter feito mais do que podia, de não parar de fumar quando disse que iria e de não ter dito aquela noite como Mariana era importante para ele, simplesmente saiu e bateu a porta sem olhar para trás. De não ter segurado sua mão e ter dito que estaria com ela, então ele chora mais intensamente e lamenta ainda mais dela não estar mais aqui, de ela ter partido sem ao menos poder ter dito adeus e que aquele resultado término era para ser dele e não dela !

A chuva começa, a gaveta com o corpo dela fecha, o cigarro apaga e fim do espetáculo. Palmas.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Odeio te amar tanto



O amor mais sincero é aquele que você não tem medo de amar.

- você deixa ele te conduzir até as estrelas.

Você me olha durante horas, tentando achar um motivo para me odiar e assim causar a ilusão de que não me ama, para assim poder olhar nos meus olhos e dizer “eu não te quero mais”(coragem).
Então você para e vê que não há nada e se odeia por um segundo por me amar tanto.
Mas sua insistência é fascinante, simplesmente sorri e diz.


você não é mais a mesma...Esta diferente.

Confuso se contradizendo nas “próprias incertezas” .Confesso que no momento sua frase doeu, mas até ontem dizia “eu te amo”.E contava-me as dez razões por me amar (foram nove).Te olhei firme, percebendo sua intenção, você sem jeito, sentiu o gosto do veneno, o faról apontava para você, só para você (prensado sentia-se) engoliu a própria armadilha; desceu rasgando a garganta.

- Desculpa. (assim disse).

Percebendo que o estranho era ele e não eu como apontava (insegurança de si).Deixou por um tempo o amor conduzi-lo, e eu o amando, entregando meu coração e minha alma nas suas mãos; mesmo sabendo que procurava uma razão, um motivo se quer.. (na verdade eu não sabia).
A noite chega e você canta baixinho, querendo que eu soubesse de algo, mas não querendo dizer (indireto).
E eu percebi, aliás essa era a intenção.Cantava a seguinte melodia.


- Lutar pelo amor é bom, mas amor sem luta é melhor.

Fez isso porque sabia que estávamos juntos agora porque pela primeira vez “eu lutei”.
Um dia me perguntou:


- Quanto me ama...Como vou saber o tamanho do amor que tem por mim?
(ele não perguntou, mas eu respondi mesmo assim).

- Lutando! Por você e por nós, só assim vai saber até que ponto eu te amo, até que ponto eu vou por você (até o fim), sabendo que a luta pelo amor supera qualquer obstáculo; à distância, amores antigos, (não eram amores, não como o nosso) defeitos, brigas, ciúmes..Tudo.O amor é maior e lutando (nem que seja uma vez) você diz isso.
Ele me olhou nos olhos e disse.


- Você é uma droga.

Não me ofendendo, mas se remoendo, fazendo sangrar a própria faca.
Raiva , raiva do sentimento, por me amar tanto que nem cabe no próprio ser.


- Você é uma droga.(continuava).

Ao mesmo tempo em que não te quero, não vivo sem você.É um vício.
É difícil te dizer...Mas não consigo aceitar a idéia de que não consigo viver sem você! Não posso.Não dá!
Por isso eu odeio o quanto te amo ...

domingo, 19 de junho de 2011

Talvez não seja amor, seja culpa



É tarde da noite e novamente volto a te escrever, estou agora aqui, sentada em frente ao computador, tomando aquele café amargo, mas que gosto de tomar, nem sei por quê.
Queria te escrever algo bonito, mas nem sei por onde começar.Olho para o lado e vejo uma montanha de bolinhas de papéis amassados, ponho as mãos na cabeça, com um ar de cansada de tanto tentar criar algo bom.Resolvo e abro aquela caixa velha de sapatos para olhar nossas fotos de como foi boa nossa história, inevitável choro ao lembrar.Lembro da primeira vez que te vi, você me olhou de um jeito que jamais vou esquecer, foi único, mas foi bom.Então paro de olhar e pego meu casaco, aquele casaco que você gostava e eu odiava, mas decidi e coloquei. Então fui dar uma volta lá fora, fui para o porto, onde o sol se escondia e os pássaros conversavam no céu, pensei que apenas queria te dizer que foi bom, que faria tudo denovo e que faria tudo melhor, sim seria diferente dessa vez..
Ou não, talvez eu só não consiga aceitar que te perdi.
As noites passadas nem dormi, nem consigo pensando em como quero te falar certas coisas.
Já nem sei se respiro ou quem eu sou.
Percebo que eu bebia aquele café amargo porque você o bebia enquanto lia sentado naquele banco verde, lendo sempre algum livro..E eu não conseguia parar de te olhar, aliás esse era um dos meus vícios.E percebi que eu era a estranha dentro da minha casa e que hoje é tudo tão vazio, como um salão de festa onde só toca música triste e que me sinto como grãos de arroz jogados depois de um selado casamento, pois esta ali no momento bom e de risos, mas depois é deixado para trás e jogado ao chão.
Eu já não sei mais o que é dor, pois ela convive comigo todos os dias..
O que senti por ti foi amor de verdade.
Ou não, talvez só foi culpa de ter errado e não aceitar que esse erro apenas foi meu.